Dr. Luciano Rotella

Distúrbios Respiratórios do sono :

RONCO

Ao menos 45% dos adultos normais roncam e 25% habitualmente. O ronco é mais frequente em homens, pessoas obesas e piora com a idade.A literatura revela porcentagens altas. O ronco se classifica em leve,moderado e severo pela clínica.Tem predisposição genética pela própria formação da via aérea e também ambiental.

SAOS – SÍNDROME DA APNÉIA HIPOPNEIA OBSTRUTIVA DO SONO

Caracteriza-se por interrupção do fluxo respiratório por no mínimo 10 segundos que resulta em dessaturação da oxi-hemoglobina e, ocasionalmente, em hipercapnia durante o sono associado a sinais e sintomas clínicos.

Apresenta como sintomas durante a noite: Ronco ressuscitativo, pausas respiratórias no sono testemunhadas, episódios de sufocação, despertares freqüentes, nocturia,sudorese excessiva, pesadelos,insônia,engasgos.E sintomas durante o dia: Sonolência excessive, sono não reparador,cefaléia matutina,alteração de humor,dificuldade de concentração, alteração de memória,diminuição da libido e fadiga.



Fatores de risco:

Obesidade, sexo masculino, desproporção crânio facial (hipoplasia maxilo mandibular, aumento do tecido linfóide da faringe, obstrução nasal); HAS, arritmias cardíacas relacionadas ao sono, angina noturna, refluxo gastroesofágico (RGE).

Para o  diagnóstico da SAOS devemos identificar no exame do paciente alguns indicadores

Exame Físico Geral

Avaliar peso, altura, circunferência cervical e pressão arterial Obesidade, pescoço curto (Obesidade-  IMC ≥30kg/m₂,Circunferência cervical – >43cm (homens); >38cm (mulheres); Circunferência abdominal – >96 (homens) ; >85cm (mulheres)

 

Exame Específico

Inspeção

Morfologia craniofacial (maxila – hipoplasia; mandíbula – retro posição)

Oclusão dentária – mordida cruzada, aberta; má oclusão, palato ogival, desproporção da cavidade oral ( aumento dos tecidos moles – avaliar volume da língua ) ou hipodesenvolvimento de estrutura óssea.

Classificação da orofaringe pelo critério de Mallampati modificado (Classes III e IV)

Classificaçâo das Hipertrofias de Tonsilas palatinas – (Grau III e IV)

Exame Específico Otorrinolaringológico

Video Endoscopia (NASO/FARINGO/LARINGE)

Diagnóstico

Realizado essas etapa com achados Clínicos (História Clinica e Exames) e com a Polissonografia estamos aptos para um melhor diagnóstico.Segundo a Classificação Internacional de Distúrbios do Sono, para diagnosticar a SAOS no adulto, devemos observar a presença dos itens A, B e D associados ou C e D associados, conforme descritos abaixo:

A.        No mínimo uma das queixas abaixo:

Episódios de sono não intencional durante a vigília

Sonolência diurna

Sono não reparador

Fadiga ou insônia

Acordar com pausas respiratórias, engasgos ou asfixia

Companheiro (a) relata ronco alto e/ou pausas respiratórias durante o sono.

B.        Polissonografia apresentando:

Cinco ou mais eventos respiratórios obstrutivos detectáveis de apnéia e/ou hipopnéia e/ou despertar relacionado ao esforço respiratório (DRER) por hora de sono;

Evidências de esforço respiratório durante todo ou parte de cada evento.

C.        Polissonografia apresentando:

Quinze ou mais eventos respiratórios obstrutivos detectáveis (de apnéia e/ou hipopnéia e/ou DRER) por hora de sono;

Evidência de esforço respiratório durante todo ou parte de cada evento.

D.        O distúrbio não pode ser melhor explicado por

Outro distúrbio do sono

Doenças médicas ou neurológicas

Uso de medicações ou distúrbio por uso de substâncias.

 

SINDROME DA RESISTENCIA DAS VIAS AÉREAS SUPERIORES

Inicialmente chamada de hipersonia idiopática.Ë uma sonolência excessiva diurna não explicada por apnéias é uma limitação ao fluxo aéreo e aumento da resistência da VAS associada à microdespertares levando à fragmentação do sono e SED.Encontra-se no exame de Polissonografia ,IAH menor que 5 e Sat de oxigênio mín maior que 92%.

Outros distúrbios do sono:

INSÔNIA

Dificuldade repetida na inicialização, duração, consolidação, ou qualidade do sono, que ocorre a despeito do tempo adequado ou oportunidade para dormir, e resulta em alguma forma de prejuízo durante o dia.  As queixas de insônia tipicamente incluem dificuldade em iniciar e/ou manter o sono, além de extensos períodos de vigília noturna e quantidade insuficiente de sono. Menos freqüentemente, as queixas de insônia são caracterizadas por percepção de sono não restaurador ou de pobre qualidade.

Os sintomas diurnos podem incluir fadiga, perda de humor e irritabilidade, indisposição geral e prejuízo cognitivo. A insônia crônica no adulto pode ainda prejudicar a função social e laboral e reduzir a qualidade de vida.

SINDROME DAS PERNAS INQUIETAS /

DISTURBIOS DOS MOVIMENTOS PERIODICOS DE MEMBROS

A síndrome das pernas inquietas (SPI) se caracteriza por uma urgência em movimentar as pernas por um desconforto (dor, câimbra, queimação, formigamento, etc…), que piora com o repouso ou sono, alivia com movimento e ocorre mais no final do dia. Dos pacientes com SPI, 80 a 90% têm movimentos periódicos de membros inferiores (MPMI) documentados pela polissonografia.

Distúrbio dos movimentos periódicos de membros inferiores se caracteriza por fadiga ou sonolência diurna pela presença de movimentos periódicos de membros inferiores documentados pela polissonografia.

Compreendem os movimentos de extensão rítmica dos membros inferiores (MMII), seguidas de uma dorso flexão do tornozelo, ocasionando uma flexão dos joelhos e uma ativação motora generalizada dos MMII. Na polissonografia os MPMI são definidos como 4 movimentos seqüenciais, que duram em média de 0,5 a 5 segundos ocorrendo com uma freqüência de um entre 20 a 40 segundos: Cada episódio do PLM pode ter a duração de alguns minutos a algumas horas. Em geral causam despertares e uma diminuição da qualidade e eficiência de sono e com maior incidência no terço inicial da noite.

NARCOLEPSIA

Caracterizada por sonolência excessiva diurna com ou sem cataplexia. A paralisia do sono e alucinações hipnagógicas podem ocorrer. A cataplexia que é uma característica única da narcolepsia é definida como a perda súbita do tônus muscular bilateral provocada por emoções fortes, que normalmente são positivas. Sua duração é curta e o retorno é completo e imediato.

Os pacientes apresentam episódios repetidos de cochilos ou lapsos de sono ao longo do dia, normalmente dormem por um curto período, acordam bem, mas após duas a três horas, começam a dormir novamente. Ataques irresistíveis de sono são freqüentes e repentinos, e podem ocorrer em situações não usuais, como durante os atos de comer, andar ou dirigir.

A queixa de sonolência excessiva diurna ocorre quase diariamente, e a história de cataplexia está presente sendo a consciência preservada, ao menos no início do episódio. A confirmação do diagnóstico deve ser dada pela polissonografia seguida pelo Teste de Múltiplas Latências do Sono (TMLS): a média de latência do sono no TMLS é menor ou igual a 8 minutos e são observados pelo menos dois episódios de sono REM, sendo que o paciente apresentou sono suficiente na noite prévia ao teste.

Abstinência de tabaco pode ter papel relevante no controle da cataplexia dado que há uma hipersensibilidade à acetilcolina na narcolepsia-cataplexia. Uso não abusivo de cafeína ou pó de guaraná, intercalados com os cochilos pode melhorar a SED, mas o uso dessas substâncias é desencorajado no período final do dia.

PARASSONIAS

TERROR NOTURNO

É caracterizado por um despertar súbito de sono de ondas lentas com um grito ou choro, acompanhado por manifestações de medo intenso. Os episódios usualmente ocorrem dentro do primeiro terço da noite e acontece amnésia total ou parcial dos eventos durante os episódios.

PESADELOS

São sonhos assustadores que usualmente interrompem o sono subitamente por um medo intenso, ansiedade e sentimentos de perigo iminente. A pessoa tem lembrança imediata do contexto assustador do sonho e está completamente alerta logo após o despertar, com pouca confusão ou desorientação. O retorno ao sono, após o episódio, é retardado e não rápido como no terror no sono. Os pesadelos acontecem mais durante a segunda metade do período de sono. O sonho em geral é longo e o medo crescente. A longa narrativa permite diferenciar facilmente pesadelos de terror no sono.

JET LAG

Consiste de graus variados de dificuldade de iniciar e manter o sono, sonolência excessiva, reduções no alerta diurno e desempenho e sintomas somáticos – mais relacionados com a função gastrointestinal – em seguida a mudanças bruscas de vários fusos horários em viagens. Os sintomas começam um ou dois dias após uma viagem aérea através de, pelo menos, dois fusos horários. A gravidade dos sintomas varia com o número de fusos horários cruzados, a direção da viagem, o horário de partida e chegada e a susceptibilidade individual.

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